Desbravando a ilha de St Maarten / St Martin! 5


Uma escolha quase despropositada, mas muito feliz, me fez parar na ilha de St Maarten / St Martin, a menor do mundo governada por dois países e um destino até bem comum pra quem vai ao Caribe, principalmente em escalas de cruzeiro. Nesse pedaço de terra que, na verdade, nem achei tão pequeno assim, ficam dois territórios: um holandês (St Maarten, pronunciado como “San Mártin”), cuja capital é Philipsburg; outro francês (St Martin, pronunciado como “San Martã”), cuja capital é Marigot. Não existe, porém, nada que demarque essa divisão de territórios, nem placas avisando exatamente onde começa um e termina outro. Mas, na prática, a diferença dos dois é até bastante óbvia. Imagine um balneário de praia francês: casinhas pequenas e bem arrumadas, ótima comida por toda parte, o charme do sotaque francês falado por todo canto, scargots e lagostas e vinhos e queijos. E mulheres, de qualquer idade, de topless desfrutando das férias na praia. Imaginou? Viu isso tudo? Pois bem, essa parte é a francesa. Agora, pense em casinhas típicas holandesas quase de frente pro mar, um ar mais urbano, mais agitado (ou menos calmo), inglês misturado com alguma outra coisa incompreensível e impronunciável (que é o neerlandês / holandês), noite com festa e cassinos e bares e casas de “liquors”. Pensou? Viu tudo isso também? Então, esse é o lado holandês da ilha.

Em comum, ambos tem paisagens sensacionais e praias daquelas de cartão postal caribenho: com água azul turquesa inacreditavelmente cristalina e areia branca bem fininha. E já digo antes mesmo de começar direito meu post com dicas desta ilha: independentemente de qual lado você vai escolher pra ficar ou transitar mais, ou qual dos dois será o seu preferido, a verdade é que, certamente, você vai querer voltar pra lá, alugar um apê e ficar uns 30 dias de pernas pro ar, sem fazer nada a não ser aproveitar muito bem a vida…

O básico do básico

Muito provavelmente você vai chegar ou pelo maior aeroporto da ilha (o Princess Juliana, no lado holandês), ou com um navio que vai atracar no centrinho de Philipsburg (também lado holandês da ilha). Para os dois casos – uma passagem de apenas um dia de cruzeiro ou uma estadia um pouco maior, aconselho seriamente o aluguel de um carro (a menos que, sendo passageiro de um cruzeiro, você opte por comprar um dos passeios que vendem no navio. E, sinceramente, não acho a melhor idéia. Nunca acho a melhor idéia esses pacotes de excursão…).

Mas precisa mesmo alugar um carro? Sim, precisa. A ilha é grande e cheia de montanhas, então transitar a pé é uma tarefa quase impossível. Além disso, o transporte público por lá é tenebroso, vans locais operam de um lado a outro da ilha, mas a maioria delas nem tem placa avisando se tratar de um transporte público. Então, pra ninguém ficar horas torrando no sol à espera de ônibus ou vans, melhor mesmo é contar com a comodidade de um carro alugado. E sai tão baratinho (especialmente se dividido por duas ou mais pessoas) que nem dá pra cogitar outra possibilidade. Não compensa.

Ah, e claro, o trânsito na ilha. Não é tão o fim do mundo dirigir por lá. Se alguém se perder entrando na rua errada (fiz isso algumas vezes), basta sempre olhar as placas avisando onde fica o centro de Marigot e o centro de Philipsburg (e existem várias delas, nos cruzamentos).

Não tem erro! Dando voltas ou não, você vai chegar lá! Os moradores locais, principalmente no lado francês, dirigem feito loucos, passam voando com motos do nosso lado (e a princípio isso é bastante assustador), mas eu sobrevivi, todos que eu conheço também sobreviveram, o que quer dizer que você também vai sobreviver (mas seguro contra acidentes na hora de alugar o carro é bem recomendável, viu?)…

Sobre qual moeda levar, o dólar. Não é a oficial de nenhum dos dois lados na ilha (no holandês é o Florin e no francês é o Euro), mas é a mais aceita em qualquer lugar. O máximo que pode acontecer é, no lado francês, alguém te devolver o troco em Euro…que, invariavelmente, você vai utilizar pra alguma outra coisa ali mesmo, no lado francês…

Que época ir? De dezembro a abril é a alta temporada, onde os preços sobem bastante (especialmente na semana de Natal e Ano Novo), assim como o número de turistas por lá. De abril a agosto o movimento na ilha diminui bastante, e a oferta de preços é bastante tentadora (exatamente porque tudo fica meio “morto”…Bom, porém, pra quem quer relaxar de verdade!). De agosto a novembro é a tal da temporada de furacões, melhor não arriscar (é a época dos menores preços mas, ainda que a ilha não seja atingida por um furacão, a possibilidade de você pegar bastante chuva é bem grande! E ir pro Caribe com chuva não tá com nada…). Pela temperatura, tanto faz, já que é quente o ano todo (mesmo no inverno, mínimas de 28°C!).

Onde ficar? Bom…isso aqui merece até post específico. De antemão, o que dá pra dizer é que a maioria dos hotéis por lá seguem mais ou menos o mesmo padrão e regime: quase todos eles são mini-apartamentos e no valor na diária não estão incluídas refeições de nenhum tipo. Os preços da hospedagem são bem salgados, principalmente se você for considerar o que oferecem e se comparar com resorts do mundo afora. O único All Inclusive de lá é o Sonesta Great Bay, em Philipsburg. Como eu já comentei, os valores baixam consideravelmente de abril em diante.

Quanto tempo ficar? Isso é sempre relativo, mas acho menos de 5 dias muito pouco. Foi o tempo que fiquei, até deu pra ver todas as coisas que queríamos, mas outras, infelizmente, tivemos que deixar de lado…A ilha tem um clima de “férias na praia”, no sossego e no aconchego de um lugar l-i-n-d-o, então vale demais aproveitar essa “vibe”, fazer tudo com mais calma e relaxar bastante! Mas se você estiver só de passagem (num cruzeiro) e, obviamente, não dispor de tanto tempo assim, não precisa se chatear! Tem um post meu onde conto o que é bacana fazer em apenas 1 dia na ilha!

Pra colocar na listinha

Não dá pra voltar sem fazer algumas coisas…a atração principal de toda a ilha, obviamente, são as praias. Tem pra todos os gostos (são 37 ao todo!), mas todas são lindas!

Outra coisa também muito bacana (e provavelmente vai ser a primeira que você vai ter a curiosidade de fazer) é ir até Maho Beach pra ver os aviões pousando e decolando bem “em cima da praia”. É incrível, mesmo, e nunca vi parecido em nenhum outro lugar! Parece que o avião vai sair atropelando todo mundo…engraçadíssimo (e perigosíssimo também, hein! Cuidado com essa “brincadeira”…)!

Pra quem gosta de ir às compras, os dois centrinhos (de Marigot e Philipsburg) são as opções (achei o holandês melhor). Tem souvenirs, badulaques, roupas de grife, cosméticos, perfumes, acessórios, bebidas…E tudo a um preço BEM BOM, já que a ilha toda é isenta de impostos.

Como todo bom destino do Caribe, também, vale a aventura com passeios e atividades aquáticas. Caiaque, mergulho, snorkel, passeio de lancha, jet ski, enfim…o que não falta são coisas muito bacanas pra se fazer e deixar as férias bem mais divertidas! Orient Bay, no lado francês, é o point pra isso!

Tem ainda os passeios diários a Anguilla e St. Barth. Já que as duas ilhas, também super paradisíacas, ficam bem “encostadas”, vale pegar um barco ou vôo pra visitar uma, ou as duas! Afinal de contas, a probabilidade de se voltar só pra uma delas é bem pequena…

Mitos e verdades

Antes de embarcar pra lá, pesquisei bastante sobre St Maarten / St Martin na internet, em revistas especializadas e guias, e achei algumas informações – umas que procederam, outras que não achei tanto. A seguir, comento sobre elas:

1. “O trânsito na ilha é infernal”. Posso ter dado sorte, mas não achei. Congestionamento, que lia que era a pior coisa de lá, acabei não pegando. E fui em janeiro!!! Um pouco (nada insuportável) só próximo à Grande Case (que é a parte mais muvucada mesmo do lado francês) e perto do centro de Philipsburg nos fins de tarde. Na parte francesa como eu já comentei, ás vezes dava um certo medo de dirigir, mas me acostumei rapidinho com a loucura deles…

2. “As ruas são mal sinalizadas”. Verdade! Se você quer ir a uma praia específica, não vai achar indicação dessa tal praia específica nas placas. No geral, as placas indicam só pra qual lado é o centro holandês e pra qual lado é o centro francês. O resto a gente supõe “se perdendo” e fuçando pelo caminho…

3. “Algumas praias não tem boa infraestrutura”. Verdade! Algumas são quase desertas, ou não muito movimentadas, então você não vai encontrar bares, cadeiras pra alugar, comida à vontade…Já saia do hotel sabendo disso! Leve sempre alguma comidinha extra e bastante água na bolsa/ sacola de praia!

4. “A ilha é cara”. Depende. Achei coisas que valiam bem a pena, ou que tinham preço bem justo, e achei outras que davam uma dorzinha no peito e no bolso…De forma geral, o lado holandês era (BEM) mais em conta…Não apenas porque nada era cotado em Euro, mas porque os valores eram menores, mesmo (exemplo: um café na parte holandesa custava 2,50 dólares e na parte francesa, 3 euros!). Se tiver como, compre o que tiver que comprar no lado holandês.

5. “A utilização de Euro/ dólar é mera convenção pra distinguir as duas partes da ilha. Na prática, as duas moedas tem a mesma cotação, ou seja, valem 1 por 1”. Olha…se isso aí algum dia foi verdade, muita sorte de quem foi pra lá nessa circunstância! Até dava pra pagar tranquilamente em dólar o que tinha preço em Euro, mas sempre faziam a conversão, que variava bastante (sempre mais alta, claro!). Alguns poucos estabelecimentos colocavam uma placa gigante avisando que ali, especificamente, o preço era de 1 por 1, pra atrair mais cliente! Mas só isso!

6. “A noite em Grand Case (lado francês) é melhor que a noite em Philipsburg (capital holandesa)”. Na verdade, o que eu achei foi que a ilha toda não é lá super agitada à noite. É, definitivamente, um destino pra se aproveitar o dia. Mas isso que vi aí de a Grande Case ser melhor não achei, não! Melhor, só se for pra sair pra jantar – algum programa mais tranquilinho e de casal…

7. “Come-se melhor na parte francesa”. Ah, mas isso é claro! Até porque a culinária francesa, meus caros…

Lembrando que isso foi o que vi durante minha estadia por lá, ok? Alguns pontos de opinião bem minha…Mesmo assim, espero que ajude!

Fotos: Montagens 1, 3 e 4 com imagens minhas. Reprodução proibida sem prévia autorização, segundo a Lei de Direitos Autorais. Montagem 2 com fotos do freepix.

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5 thoughts on “Desbravando a ilha de St Maarten / St Martin!

  • Jaqueline

    boa tarde! Adorei suas dicas, principalmente a dos noteis!
    Estou na dúvida, vou para St Maarten em jaN15 q e vc aconselha pegar hotel all inclusive?
    Sempre fiquei em noteis da rede RIU, mas por lá esta bem caro e li que fica afastado de tudo.
    Pensei no Sonesta bay ou Divi! Qual vc ficou?
    vAMOS FICAR 7 dias.
    obrigada

    • susanasteil Autor

      Oi, Jaqueline! Muito obrigada!
      Com 7 dias eu consideraria alugar um apê…Tem MILHARES de opções sensacionais por lá, e não vai diferir muito de um hotel, porque em St Maarteen os hotéis não oferecem (grande maioria) nenhum tipo de refeição – vocês vão ter que se virar de qualquer jeito…O site VRBO é ideal pra isso! Digita o destino, os dias no local e quantos quartos desejam…daí é só eleger os melhores e negociar com o proprietario, sai BEM mais em conta!
      Caso não gostem da ideia de ficarem 100% independentes por lá, dai tem que ser hotel ou all incusive, mesmo…Se eu acho all inclusive uma boa ideia? Sinceramente, só se vocês tiverem com dinheiro sobrando pra gastar – comparando com all inclusives de outros lugares, como Punta Cana, por exemplo, os de lá são bem mais caros e tem menos a oferecer.
      Dito isso, ente os dois, eu escolheria o Divi (é o Sonesta Great Bay, né? Que é All inclusive… Porque tem o Sonesta Maho, que fica próximo ao aeroporto, que não é…mas que tem a vantagem de ser super bem localizado!). O Divi tem ótimos reviews no Trip Advisor, fica numa praia quase privativa do hotel, é bem localizado (próximo ao centrinho do centro holandês, na minha opinião, a parte mais bacaninha da ilha), aparentemente tem boas instalações…Não tem refeições na diaria, mas a ilha tem mais de 300 ótimos restaurantes…e vários mercados onde vocês podem comprar de tudo, se quiserem economizar!
      Espero ter ajudado!

  • Regis A. J.

    Olá Susana!

    Eu e minha mulher estivemos em St.Maarten por uma semana em julho/14. Segue um resumo de nossas impressões sobre a ilha.

    Em Maho Beach é muito divertido ver (e sentir) o vendaval dos aviões pousando e decolando. As praias mais legais são Mullet, Cupecoy, Baie Rouge e sua vizinha Pointe des Fleurs (chegamos nela a nado). Em Grand Case destaque para o Calmos Café, onde fomos num domingo à noite e tinha uma banda de reggae tocando. A ilha Pinel vale a pena passar o dia. Em um quiosque de Orient Bay Beach assistimos a tragédia dos 7×1 – na verdade fomos embora quando a Alemanha fez o 5o gol…rsrs… Mas o melhor de St.Maarten não está em St.Maarten, e sim na ilha vizinha de Anguilla, imperdível!

    Parabéns pelo blog.
    Regis (Santos/SP)

    • susanasteil Autor

      Aaah, que bacana, Regis!!
      Bom seria mesmo se todas as pessoas compartilhassem suas experiências de viagem…Todo mudo viajaria muito melhor!
      Obrigada por ter relatado um pouquinha da tua experiência, foi de grande valia!!
      E serviu pra que eu morresse de vontade de voltar pra lá, e explorar Anguilla…haha!
      Valeu, mesmo!