O que define você?


Andou circulando na internet umas semanas atrás este vídeo, na verdade já visto por quase todo mundo (e se você ainda não viu e nem sabe do que se trata, aconselho demais! São apenas 13 minutos que podem causar reflexões fantásticas e mudar o seu conceito sobre como ver as pessoas e sobre como ver a si mesmo), e que mexeu demais com as minhas últimas semanas. Senti que precisava escrever a respeito.


Aliás, como não se sentir incomodado depois desse vídeo? Como não se sentir tocado depois dessas palavras? Como não enxergar a si mesmo e resolver mudar péssimos e mesquinhos hábitos depois desse exemplo?
O fato é que nosso mundo é feito de rótulos e embalagens. E todo mundo leva pra casa as mais baratas e/ou mais bonitas. Um ou outro, no meio de milhares, que se dá o trabalho de ler as informações do produto, checar prazo de validade, dar um fim verdadeiramente útil ao que foi adquirido. Não vou mentir pra você, às vezes, ou quase sempre, minha escolha se baseia no que tem a “cara melhor”, e é assim até pra escolher tomate na feira.
Não minta pra você mesmo: você também faz isso com mais freqüência do que imagina…

Aparência conta pra tudo e hoje, mais do que nunca, as pessoas tem sido educadas com essa verdade quase irrefutável. Nosso corpo é nosso cartão de visita, nossa cara é reflexo de como estão nossas emoções, nossas roupas são nossos denominadores sociais…Precisamos ser competentes, esforçados, qualificados E magros. Precisamos ter talento, dom, habilidade E, antes de todas essas coisas, beleza. Precisamos amar e ser amados, mas pra isso é quase fundamental que estejamos de banho tomado, com o cabelo cheiroso, a unha feita, a roupa da moda, a pele jovem e, de preferência, com o mesmo número de manequim de anos (é…porque as únicas pessoas que ainda vão sentir imenso prazer em lhe ver mesmo quando ou se a sua aparência for péssima são a sua mãe a aquela (e) sua (seu) amiga (o) invejosa (o)…).
Ninguém quer estar perto de gente feia e mal sucedida, e até não muito raramente as duas coisas estão bem conectadas. Eu não quero, você não quer (e que por aqui a hipocrisia passe longe!). O mundo inteiro privilegia o que é mais belo. Fato.
Longe de mim, no entanto, querer que você mude essa “importância toda que você dá pra estética”. Também não quero eu engordar 20kg, descuidar da pele e do cabelo, e não me importar mais com o que eu visto só pra ser solidária com as “menos visualmente favorecidas”. O conceito do mundo não mudará por causa disso. Nem os nossos próprios conceitos mudarão por causa disso.
Mas a reflexão que Lizzie propõe, a respeito de como aparentamos, é muitíssimo válida. “Meu nariz é torto”, mas será que é ele que define o seu caráter? “Tenho um peito maior que o outro”, mas será que é meu peito torto que define minha personalidade? “Minha cara é péssima e por isso me disseram que estou fadada ao fracasso”, mas será que é minha cara “anti-Cinderela” que define se sou, e porque sou ou não, bem sucedida? “Engordei demais, tô um bagulho, por isso não arrumo ninguém”, mas será que só isso que define amor pra você?
Ailás, O QUE DEFINE VOCÊ? E o que definem seus valores?
Bom…no meu caso (e creio que em quase todos os casos), o que me define é o que, DEFINITIVAMENTE, não está por fora. Não são meus olhos claros, nem meu dentinho separado que me faz cair na crença popular de que sou uma mentirosa, não é minha panturrilha torneada, nem meu pé medonho, nem meu seio esquerdo bem maior que o direito (o exemplo anterior foi meu, mesmo – tenho um peito maior que o outro!), não é meu cabelo ruim…O que me define com exatidão não é o que as pessoas estão vendo. No sentido literal e no figurado.
Não construí meus valores com base nos resultados, ora de sucesso, ora de fracasso, que apresentei pras pessoas. Meus valores foram construídos por tudo que vivi e aprendi pra fazer algo que desse muito certo, ou muito errado. O final foi só o que as pessoas viram. E, neste caso, meus meios me definem mais que meus fins.
Minha personalidade não é o que alguém acha que é só porque resolveu me inserir num estereótipo. ” Eu penso X porque freqüento tal lugar”. “Eu sou X porque tive determinada infância”. “Eu ajo de forma X porque pertenço a um determinado grupo”. “Eu vivo X porque faço tal coisa”. “Eu reajo X porque tenho bem a cara de quem faz isso mesmo”…Não, CLARO QUE NÃO!! Eu sou, infelizmente, o que poucos enxergam de mim. Fatos isolados e generalizados não construíram minha identidade. Fatos isolados e generalizados, apenas, não construíram identidade de ninguém…
Não sou sempre o que você pensa que eu sou. Não vivo sempre da forma que você pensa que eu vivo. Não faço apenas o que você me vê fazendo. Não me caracterizo pela forma como me mostro muitas vezes…Nenhuma aparência engana tanto, mas não é só ela que define quem EU sou, quem VOCÊ é
Já que nosso universo é inteiro feito de adaptações – vive melhor quem se adapta melhor – o que dá pra mudar, a gente muda. Depois de tanto bater cabeça, aprendi que não é a aparência das coisas que vai determinar TANTO meus próximos passos, e nem a das pessoas que vai determinar TANTO minhas próximas escolhas. Foi a forma que descobri de me adaptar a uma vida sem tanto sofrimento.
Não está satisfeito com a ruga na testa, nem com o amarelado do sorriso, nem com a perna gorda? Dá pra mudar? Então, mude! O cabelo, os hábitos alimentares, o corpo inteiro depois de uma lipo ou a careca depois de um implante. Eu mesma passo um sufoco na academia pra me manter entrando numa calça 36…Foi a forma que descobri de me adaptar a esse nosso mundo que exige perfeição visual quase sempre em primeiro plano…
Agora…Não dá pra mudar (mudar tanto, porque um jeito e uma melhorada sempre são possíveis!…)?! Não há o que fazer?! Definitivamente você não se enquadra no padrão estético de capa de revista?? Então o jeito é fazer como a Lizzie, e encarar tudo com bom humor, realismo, maturidade e uma vontade desmedida de ser mais e melhor…Não sofra, não se vitimize, não se diminua. Pegue tudo de ruim que falaram sobre a forma que você aparenta, jogue no latão do reciclado, e vá ser feliz! Porque, como ela bem disse, NÃO É, DE VERDADE, o que você é por fora que vai definir sua essência, sua missão, muito menos o fim que você vai dar pra sua própria, assim se espera, realizada vida

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