Paraty – um dos destinos mais charmosos do Brasil!


Sempre tive uma vontade enorme de visitar Paraty. Uma porque tenho um sério caso de amor com lugares históricos, casas coloniais, ou coisas muito antigas – acho de uma beleza única! E outra que, além do valor histórico e cultural que tanto me atrai (típicos de cidades/destinos desse tipo), Paraty ainda é cercada por mar (Tipo Ouro Preto com praia, capice?)! Pra mim, o pacote completo!

Além de História, cultura, mar e paisagens deslumbrantes, Paraty ainda tem muitas montanhas no seu entorno (ótimo pra quem curte um turismo de aventura!) e uma excelente oferta de restaurantes, boa hospedagem e atividades para o dia ou noite. Eu fui, fiquei encantada com o lugar, e repasso minhas dicas e impressões de lá!

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Lindo fim de tarde visto do ancoradouro (Foto: Easy tansfer brazil)

Como ir

Paraty fica a 249 Km do Rio de Janeiro e a 253km de São Paulo, ou seja, mais ou menos no meio do caminho entre as duas cidades (embora bem mais próxima do território do Estado Paulista, na divisa, geograficamente falando).

Se você vier de qualquer outro estado que não RJ ou SP, vale fazer o que eu fiz: comprar uma passagem aérea até Rio ou Guarulhos (no caso, comprei a mais barata, que foi pra Guarulhos), e alugar um carro pra seguir o trajeto.

Quem quiser economizar, pode fazer o mesmo percurso de ônibus. As empresas que operam são a Reunidas Paulista (desde São Paulo), a Costa Verde e a Útil (essas duas desde o Rio de Janeiro).

Dica mais que preciosa: como eu falei, fiz o trajeto Guarulhos-Paraty, por ter encontrado passagem aérea bem mais em conta pra SP. A ida foi ok mas, na volta, enfrentei mais de 12h de engarrafamento. Estava calor, todos os paulistas desceram a serra e foram pro litoral, e eu esqueci esse detalhe e fui fazer a besteira de querer voltar num domingo. Se tiver partindo de SP, NUNCA, JAMAIS retorne num domingo…realmente o trânsito pode acabar com a sua viagem!

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O charme do centro histórico, onde charretes são muito comuns! (Foto: brasilandbrazil.blogspot.com)

Onde se hospedar – vale a pena ficar no centro histórico?

Pra quem vai de carro, pode ser um pouco chatinho. Uma que as ruas são de pedra e se demora muito pra dirigir de uma quadra a outra. Sem contar que muitas delas não permitem o acesso de veículos de jeito nenhum! Outra que, como estamos falando de casas históricas, algumas pousadas dali não dispõem de estacionamento.

Por esses motivos, acabei escolhendo uma pousada fora do centrinho.

Mas, é claro, o centro histórico tem seu charme! Os preços de hospedagem tendem a subir um pouco (e, em alguns casos, consideravelmente), mas a vantagem é que tudo está muito perto – bares, restaurantes, comércio. Sem contar que é mais romântico e tem muito mais a ver com o clima da cidade.

Não me arrependi de ter ficado fora do centro histórico, porque consegui aproveitar tudo muito bem, mas escolheria algo mais tradicional, por ali (de preferência quase de frente ao mar/cais/forte) numa outra ocasião.

Para o Centro Histórico algumas boas opções são a Pousada do Ouro, com boas instalações, localização privilegiada (no centrinho, mas fora da muvuca de bares e do cais), com piscina e estacionamento, e com diárias por R$461 o casal (na baixa temporada);  a Pousada do Príncipe, bem bacaninha, também com piscina e preço mais acessível (a partir de R$260 o casal, valores de baixa temporada);  a Pousada Porto Imperial, que é super disputada porque oferece bastante conforto (tem sauna, piscina, massagem, estacionamento) e acomodações de melhor qualidade, porém com um preço mais salgadinho (vai ser difícil você encontrar uma diária pra casal pro menos de R$550, e se encontrar disponibilidade, porque a Pousada está sempre cheia!); e a talvez mais famosa, a Pousada do Sandi, situada num belíssimo casario colonial, com infraestrutura de primeira (tem até spa!) e bastante requinte para receber seus hóspedes (também, pudera! As diárias para casal podem ultrapassar fácil os R$600! A notícia boa é que, comprando pacotes, os valores baixam bastante!).

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A famosa Pousada do Sandi (Foto: site oficial Pousada do Sandi)

Quem quiser alguma coisa fora do centrinho, o que até pode ser uma ótima no quesito economia, já que os valores são (em geral) mais baixos, pode ficar com a Pousada Cana Caiana, bem bonitinha e super bem estruturada.  A Pousada Portal Paraty fica só a 1,7 km do centro histórico e já oferece tarifas bem mais tentadoras só por conta disso (achei quartos pra casal por R$121 na baixa temporada!). Já a Recanto dos Colibris é mais afastada (cerca de 22km do centro), mas é bem estruturada, com valores excelentes (justamente porque fica mais longe) e ideal pra quem quer o sossego de um clima mais de serra em Paraty – é, na verdade, um refúgio no meio da mata.

O que fazer por lá

Paraty é sede de alguns eventos famosos e importantes, como a Flip (a Festa Literária Internacional de Paraty, geralmente nos meses de julho, e que recebe autores e gente do mundo todo), a Folia Gastronômica, o Festival de Cinema, e também o Festival da Pinga, que é recente, mas já entrou pro calendário de eventos da cidade.

Além desses, a cidade oferece um turismo especial religioso – não apenas porque igrejas têm aos montes por lá, mas a tradição católica é bem forte e data alguns séculos – o que quer dizer que em feriados como Corpus Christi e Nossa Senhora Aparecida, ou mesmo em dias de santos que não são feriados (como o dia de São João), a cidade LOTA!

Se for a Paraty em alguns desses eventos, a programação será intensa! Mais festas, talvez alguns shows, exposições, feiras…fora a grande oferta de boa comida!

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Cenário lindo no Centro Histórico (Foto: Site Adoro Cor)

Agora, se for em algum outro dia pacato, longe de feriados ou datas especiais da cidade, ainda assim, terá muito o que fazer. A começar, obviamente, pelo Centro Histórico, considerado Patrimônio Histórico Nacional.

Muito curiosamente, essa parte da cidade foi inteiramente planejada –  cada igreja, prédio público, comércio e até mesmo zona residencial tinha razão de estar ali, foi previamente projetada para estar ali. O Centro data do século XVII (a fundação da cidade foi em 1667) e, naquela época, os militares portugueses viram que a região, pela localização, tinha um enorme potencial portuário e poderia se desenvolver como uma das principais “pontes” entre Brasil e Portugal (o auge dessa “ponte” foi no século XVII, na época conhecida como Ciclo do Ouro – todas as pedras preciosas retiradas das Minas Gerais escoavam por ali, e dali seguiam para Portugal). Por uma influência bastante óbvia, todos os casarios e construções seguem o estilo colonial português e, até hoje, caminhar pelas ruas e vielas do centrinho parece uma viagem no tempo! É tudo muito lindo MESMO!

Para entender um pouco da história do lugar, vale a pena a visita à Casa da Cultura, ao Museu de Arte Sacra e também ao Centro de Artes e Tradições Populares de Paraty, com um grande acervo de objetos e utensílios do período colonial, além de bastante artesanato caiçara.

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A água clarinha e transparente das ilhotas da região

As praias também são indispensáveis: não dá pra ir a Paraty sem pisar em, pelo menos, uma! As mais próximas do centro são a de Jabaquara e a do Pontal mas que, na minha opinião, deixam um pouco a desejar (especialmente se comparadas às outras), pois têm água mais escura e cheia de lodo. Já as mais afastadas, ou até mesmo as ilhotas próximas (Ilha da Bexiga, Ilha do Cachorro, Ilha do Mantimento, Praia do Amy Klink…) são deliciosas! Nelas é possível se admirar com aquela água verde-clara e super limpa, além de descansar e fazer várias atividades aquáticas, como snorkel, pesca ou mergulho (enquanto eu estava nadando na Praia do Jurumirim, tive a agradável companhia de tartarugas! Experiência incrível!). Pra esses pontos mais afastados eu sugiro o passeio de escuna (ouvi falar super mal dele, porque tem som alto e mais bagunça, é totalmente turístico…mas achei bem divertido e recomendo!), ou o aluguel de barcos privativos (aluguei um inteirinho só pra mim – 2 pessoas, no caso – por 3 horas, e foi o ponto alto da viagem! Nós mesmos escolhemos o roteiro e tivemos a liberdade de parar nas ilhas pelo tempo que quisemos, sem depender de horários pré-fixados de grupos! Contratamos o serviço do Sr. Magno, uma simpatia de pessoa que nos atendeu com a maior prontidão do mundo! Anota aí o número dele: (24) 9907-6074).

Outra diquinha: o preço dos barcos privativos? Depende muito do número de pessoas e da época do ano mas, no geral, R$100 a hora (pode ficar um pouco mais caro se o grupo for maior). Bem pechinchado e chorado, esse valor pode cair – só não diga que falei isso, ok? Ah, e leve equipamento pra snorkel, como máscara e pé de pato! Garanto que não vai se arrepender!

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Aproveitando o clima de total relax de Paraty

Ah, como eu falei antes, por estar cercada de montanhas (e verde, e cachoeiras), Paraty tem muito a oferecer pra quem gosta de aventuras. Trilhas, Jeep tours, Tirolesa, Rafting e passeios a cavalo são algumas das atividades oferecidas. Acabei não fazendo por falta de tempo (e por ter preferido o mar, já que estava calor) e, no fim das contas, eu me arrependi (só de olhar as fotos de quem subiu as montanhas do Mamanguá, morri de inveja!). Pra quem se interessar por alguns desses passeios, indico o Paraty Tours, que tem bons preços e bom atendimento.

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Passeios de barco e escuna são algumas das principais atrações de Paraty (Foto: Blog Por onde fui)

As Praias da Vila de Trindade (que dista uns 25 km do centrinho de Paraty) foram as que achei mais perfeitas! Vale dar uma passada por ali! Eu, como estava de carro, fiz o trajeto sem grandes preocupações. Mas dá pra ir de ônibus com a Colitur (saindo da rodoviária), e em 50 minutos se estará por ali (a tarifa é baratinha, também! Menos de R$5 o trecho!).

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A cara tava de cansaço, mas a comida era excelente: massa com frutos do mar no Vittoriani´s

Onde comer

Que tarefa mais difícil! Isso porque, segundo as minhas observações, nunca vi tanto restaurante por centímetro quadrado! Comi demais por ali (eu me senti em Minas Gerais, com muita oferta de comida boa, dessa de saborear rezando!). As minhas recomendações são: o Banana da Terra para o melhor da culinária brasileira (a Chef-proprietária Ana Bueno já recebeu diversas premiações pela casa, inclusive); o Vitoriani´s Grill para massas e frutos do mar (o proprietário é um italiano, o Vitoriani, que prepara tudo com muita dedicação e cuidado! A comida dele é sensacional!); o Dona Maricota pra lanches estilo burguer americano, com o plus de um ambiente bem descolado; o Maragarida Café pra quem curte música ao vivo de qualidade (mas procurem chegar cedo, porque fica lotado!); e o Café Pingado para lanches, sucos e cafés (pra quem não vive sem cafeína, como eu!).

Tome nota: Não volte pra casa sem comprar um doce de rua. Várias senhorinhas passam com pequenas carroças lotadas de doces (como cocada, pé-de-moleque e geleias) e bolos caseiros – um mais gostoso que o outro! O preço médio da fatia/ pedaço de doce é R$5, e é a melhor forma de adoçar seu passeio pelo centro histórico!

Impressões e sugestões (finais!) de Paraty

  • O lugar pode ser bem pequeno, mas tem coisa demais pra se fazer por lá (muito paradoxalmente!). Sugiro uns 4 dias pra aproveitar tudo – praias, passeios, natureza, história, comida – e ainda poder relaxar um pouco, sem fazer as coisas com pressa (afinal de contas, pressa não tem nada a ver com Paraty). E olha que talvez em 4 dias você não consiga fazer tudo que tinha vontade!
  • Em se tratando de hospedagem, vá pra lá sabendo que praticamente tudo funciona no esquema de pousada. O que quer dizer que, mesmo se pagar a diária mais cara da região, ainda assim estará num lugar sem grandes modernidades, luxos, parafernálias turísticas. Quase todas as casas são antigas, e o atendimento em quase todas é no estilo “sinta-se em casa”. Simplicidade é a palavra e a ordem por lá!
  • Muitos, muitos, muitos turistas. É isso que você vai ver pelas ruas da cidade. Se tiver pavor deles, fuja dos feriados e datas de eventos na cidade (mas, ainda assim, verá muitos!).
  • Falando em turistas, fazia tempo que não via no Brasil tanto gringo. Americanos, europeus, gente de diversas nacionalidades…vários idiomas, muitos mochileiros, e por aí vai. Isso não me incomodou, muito pelo contrário: achei bacana saber que uma cidade tão fofa já está na rota do turista estrangeiro no Brasil!
  • Por ser uma antiga colônia de pescadores (e ter muitos deles até hoje!), nem preciso dizer que os frutos do mar são os melhores e mais frescos, inclusive do Estado do Rio de Janeiro. Vá ao Mercado de Peixe, e também converse com os pescadores no cais e no atracadouro do Rio Perequê-açu – eles têm muita história pra contar e são ótimos guias turísticos!
  • Se for sua primeira visita a Paraty, aconselhor ir em algum mês de calor, pra que possa aproveitar bem as praias e alguns passeios ecológicos. O alto verão, no entanto (meses de dezembro e janeiro), além de bem mais caro, marca a época chuvosa na região. Vai por mim: outubro e novembro são os melhores meses!
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