…”que não volta nunca mais!”… 3


Ontem, depois de uma passada rápida na minha caixa de e-mails e de uma olhadela mais rápida ainda nas redes sociais, algumas mensagens sobressaíram e, confesso, estou chocada até agora: não, ninguém morreu, nem notificou nenhuma tragédia ou catástrofe, mas meus amigos me lembraram dos 7 anos da minha primeira formatura, e isso me fez pensar em como o tempo é por demais implacável e, de fato, irreversível.

Tudo bem que 7 não são 10, nem 25, nem 50 e, muito embora o número do aniversário de ontem seja bem “praticamente místico” (pra quem acredita, 7 significa muita coisa – é o número da perfeição), no fundo é apenas mais uma data, um marcador. Ou pelo menos é isso que eu tento pensar pra não sentir que o tempo tenha pesado tanto sobre mim…

(Cabe aqui fazer a pertinentíssima observação de que eu era a mais nova da turma e me formei bem novinha, pra ninguém ficar majorando a minha idade de forma equivocada por tabela).

Mas confesso que parei pra pensar em muita coisa, e me vieram os mais variados e irrepreensíveis sentimentos…

Pra mim, particularmente falando, a época de faculdade foi, sim, bastante árdua. Não pelo excesso de atividades (porque isso eu até driblava super bem), nem pelo acúmulo de papéis (porque eu tinha a felicidade de, naquela época, ser apenas estudante e filha – não era mãe, nem patroa, nem esposa, o que acabou tornando tudo mais simples!). Também tive o privilégio de não precisar me matar pra pagar outras contas, porque contei com uma família que me apoiou enormemente durante todo o processo…Mas foram anos EMOCIONAL E PSICOLOGICAMENTE muito pesados, lembro isso tudo como se fosse hoje. Atravessei uma confusão mental e existencial tão grandes, que surtei (literalmente) no meio do curso e ganhei de presente uma depressão ferrenha e um quadro de anorexia nervosa que me demandaram 2 anos e meio de terapia, remédios e consultas constantes ao psiquiatra.

Admito que me doeu bastante, e só não preferi esquecer que tudo isso me aconteceu porque, sei lá porque cargas d´água é sempre assim, mas aprendemos mais com as coisas que doem de verdade.  Demorou, mas depois que passou fiquei ainda melhor que antes, e senti que cresci uns 10 anos em menos de 3! Foi naquela época que parei de me preocupar com a opinião dos outros, que aprendi que as coisas mudam frequentemente e que isso pode ser muito bom, que comecei a filtrar tudo o que ouvia, e a selecionar melhor as pessoas a quem chamava de “amigos”. Deixei de ser tão ingênua, larguei minhas preocupações excessivas, parei de focar as coisas apenas em mim (que mania terrível essa da juventude, de ser tão egocêntrica!) e hoje compito com a baianada no quesito calmaria e tranquilidade – ando numa mansidão de dar inveja!

A fase foi bem trágica, mas teve suas (várias) compensações.

Então, num balanço geral, mesmo com 3 anos pesados – em que eu não sabia mais quem era, porque era, pra onde ia, nem com que propósito – hoje as lembranças daqueles 5 anos (na verdade, quase 6, porque teve um acréscimo de alguns meses do meu curso de Jornalismo, que tava pra acabar) foram as mais sensacionais que alguém pode ter…ever! E, acredito muito não ser a única a sentir isso, mas a saudade é gigante, e vejo que aqueles foram, sim, os melhores anos da minha vida!!

Não só pelos amigos novos (e vários eternos), nem pelas festas, e também não tanto pelo conhecimento adquirido. Também tem aquele quê de satisfação e vaidade, já que pra maioria uma formatura em curso superior é a primeira grande conquista na vida, mas realmente não foi só isso! A verdade é que olho pra trás e dou risada do tanto de coisa que eu achava que era chata demais, e cansativa demais, e desgastante demais, e que agora percebo que não corresponde a nem 1% da responsabilidade (e de coisas chatas, e desgastantes, e cansativas) que carrego hoje…Como naquele tempo as coisas eram mais fáceis!! E taí o grande barato de tudo!!!

Trabalho de fim de semestre arrancava o cabelo de 95% da turma, as provas tiravam o sono de muita gente, sempre tinha picuinha com um ou outro professor, “manutenção ou reintegração de posse?”, “direitos do empregado doméstico, anulatória, repetição de indébito, elegibilidade, ordem sucessória, excludentes de ilicitude…Meu Deus o que significa esse tanto de nome???”, a temível prova da OAB…MAS ERA APENAS ISSO, por mais estressante que fosse ou parecesse!

Hoje, na vida “real”, não tem mais professor pra negociar prazos, nem um mais espertinho pra dar uma luz na hora da prova, nem resumões, nem margem boa pra erros, “já que tá todo mundo APRENDENDO”…Não existe recuperação praquele que não alcançar a média 7, nem fotocópia daquele livro genial que vai ensinar tudo e, QUASE NUNCA, a possibilidade de errar, não entender, perguntar (colar, pra muitos), e fazer tudo novamente…Até não exerço a advocacia (todos sabem disso) mas falo da vida de gente grande, de forma geral: hoje é necessário matar um leão por dia, correr atrás tipo Forrest Gump mesmo, e o mercado é tão exigente, que é preciso entregar tudo com justificação total, sem 1 cm a mais pra esquerda, nem 1 a mais pra direita, recuos, espaçamentos…nada! Quem contrata qualquer pessoa quer agilidade, responsabilidade, dedicação, e mais um bilhão de qualidades que, naquele tempo, 7 anos atrás, nem eu, nem nenhum dos meus amigos achava que conquistaria (seria obrigado a) em tão pouco tempo. Agora não há mais tempo para enganos, e na verdade não há mais tempo é pra coisa nenhuma e, infelizmente, quem não passar não vai poder repetir a matéria…Errar pode ser o fim de tudo (ou o início de uma ação de danos morais ou de dano de mais um monte de coisa, porque agora o povo é esclarecido e sabe que pode – e deve! – responsabilizar quem faz coisa errada!)!!

Hoje, na vida “como ela é”, somos os nossos próprios concorrentes e principais inimigos…tudo depende do que fazemos e da forma como levamos as coisas. E essa vida “como ela é” é tão irônica e tão cheia de pegadinhas que, ao mesmo tempo, não basta confiar apenas no nosso taco: tem um monte de gente que depende da nossa escolha, e também dependemos da ajuda de alguns ou de vários no meio do caminho…

Pra piorar, essa vida “preto e branco”, que em quase nada lembra os finais de semana de churrasco da turma, traz consigo outras várias obrigações: além de trabalhar de forma exemplar, precisamos pagar contas, render mais, cuidar de casa, de planos, de relacionamentos, alguns de filhos (fraldas e mensalidade de escolinha), de sócios ou de parceiros, precisamos passar por cima de rompimentos e mudanças, devemos nos manter atualizados, e atléticos, e produtivos, e presentes em todos os lugares e, por mais que nos digam que não, temos o dever implícito de provar que crescemos e que, mesmo de forma mínima, honramos o nosso diploma…

E sabem o que me alegra, quando paro pra pensar nisso tudo? O fato de que surtei naquela época, e não agora: hoje passo por desafios muito piores, dúvidas mais cruéis, exames bem mais eliminatórios, e enfrento pessoas bem mais difíceis que meus piores professores, mas mantenho minha cabeça em ordem, na santa e calma paz! Pra mim, certamente, a prova de que devo ter realmente crescido muito…

Também me alegra demais olhar pra trás, segundos depois olhar pra agora, e saber que estão todos muito bem. A maioria não tem hoje, assim como eu, quase nenhuma relação com o Direito, mas todo mundo tem sido bem feliz. Todo mundo dá o seu jeito. Alguns acharam seu caminho mais rápido, outros ainda não, mas o fato é que uma hora, inevitavelmente, todo mundo se encontra no meio da confusão e segue a vida. Ou andando, ou correndo, ou dançando e fazendo acrobacias, pra alguns mais abastados.

Desejo pros meus amigos a mesma sorte que desejo pra mim nas minhas empreitadas e espero que, dentro do conceito pessoal de cada um de sucesso e reconhecimento, todo mundo obtenha nota máxima! Da minha parte, não me arrependo das minhas escolhas, nem reclamo dos tempos presentes, porque sei que eles podem ser (e são!) mais difíceis do que eram na minha juventude, mas que são necessários e tem seu brilho! Tudo faz parte!

Mas analisando todas essas coisas, temos (eu e meus colegas de faculdade) a sensação unânime de um saudosismo gostoso, de alegrias que ficaram, de que valeu demais, e de que “aquilo, sim, que era um tempo bom!”…

Passou voando, nem sentimos.

P.S.: E você, agora, parou pra sentir? 

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